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Riscos Psicossociais: como a NR-1 impacta seu PGR

Os riscos psicossociais na NR-1 devem ser identificados, avaliados e controlados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso significa que a prevenção ocupacional precisa considerar também fatores lig...

Publicado em 04/09/2026 6 min de leitura
Riscos Psicossociais: como a NR-1 impacta seu PGR

Os riscos psicossociais na NR-1 devem ser identificados, avaliados e controlados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso significa que a prevenção ocupacional precisa considerar também fatores ligados à organização do trabalho, como sobrecarga, jornadas inadequadas, falta de autonomia, conflitos e assédio, além dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

O que são riscos psicossociais no trabalho?

Riscos psicossociais são fatores relacionados à concepção, à organização, à gestão e às relações de trabalho que podem afetar a saúde física ou mental dos trabalhadores. O foco não está em diagnosticar individualmente cada pessoa, mas em reconhecer condições laborais capazes de favorecer estresse excessivo, esgotamento, sofrimento e outros agravos.

A inclusão desses fatores no gerenciamento de riscos amplia a abordagem preventiva da Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Em vez de tratar a saúde mental no trabalho somente depois do surgimento de afastamentos ou conflitos, a empresa deve analisar as causas organizacionais e adotar medidas de prevenção.

Para gestores de RH, profissionais de SST e empresários, essa abordagem exige integração. Informações sobre organização das atividades, demandas, comunicação, relacionamento, absenteísmo e condições reais de trabalho precisam ser analisadas de forma coordenada, respeitando a privacidade dos trabalhadores.

Quais fatores psicossociais precisam ser observados?

Os fatores psicossociais variam conforme a atividade, o ambiente, a estrutura e a forma de gestão de cada organização. Entre os aspectos que podem demandar atenção no PGR estão:

  • Carga de trabalho excessiva: volume ou complexidade incompatíveis com o tempo e os recursos disponíveis.
  • Jornadas e pausas inadequadas: rotinas prolongadas, descanso insuficiente ou escalas que favoreçam fadiga.
  • Pressão desproporcional: cobranças constantes, metas pouco realistas ou urgências recorrentes.
  • Baixa autonomia: pouca possibilidade de participação nas decisões relacionadas à própria atividade.
  • Falta de clareza: responsabilidades, prioridades ou critérios de avaliação mal definidos.
  • Assédio e violência: práticas de humilhação, intimidação, discriminação, assédio moral ou sexual.
  • Conflitos interpessoais: relações deterioradas entre colegas, lideranças, clientes ou terceiros.
  • Comunicação deficiente: ausência de orientações, mudanças sem explicação ou informações contraditórias.
  • Falta de apoio: suporte insuficiente por parte das lideranças ou da própria equipe.
  • Insegurança e mudanças organizacionais: reestruturações, instabilidade ou alterações conduzidas sem comunicação adequada.
  • Trabalho emocionalmente exigente: contato frequente com sofrimento, violência, reclamações, emergências ou situações traumáticas.
  • Desequilíbrio entre esforço e reconhecimento: percepção recorrente de falta de valorização diante das exigências do trabalho.

A presença de um desses fatores não determina, isoladamente, a existência de adoecimento. A avaliação deve considerar intensidade, frequência, duração, grupos expostos, contexto ocupacional e medidas de prevenção já existentes.

Como integrar os riscos psicossociais ao PGR?

A integração deve seguir um processo documentado de identificação de perigos, avaliação de riscos e definição de controles. A metodologia precisa ser compatível com as características da empresa e com as atividades realizadas.

1. Compreender atividades e grupos de trabalhadores

O primeiro passo é conhecer como o trabalho acontece na prática. A empresa deve mapear setores, funções, processos, jornadas, demandas, formas de supervisão e grupos que possam estar expostos a condições semelhantes.

A análise não deve se limitar à descrição formal de cargos. Diferenças entre turnos, unidades, equipes, trabalho externo, atendimento ao público e períodos de maior demanda podem alterar significativamente a exposição.

2. Coletar informações por fontes complementares

A identificação dos fatores psicossociais deve combinar fontes que permitam compreender a organização do trabalho. Entrevistas, escuta dos trabalhadores, observação das atividades, questionários adequados e análise de registros internos podem contribuir para esse diagnóstico organizacional.

Indicadores como afastamentos, rotatividade, absenteísmo, conflitos e queixas recorrentes podem servir como sinais de atenção, mas não devem ser interpretados isoladamente. Também é necessário preservar a confidencialidade e evitar qualquer uso discriminatório das informações.

3. Avaliar e priorizar os riscos

A avaliação deve estimar a probabilidade e a gravidade dos possíveis danos, considerando a quantidade de pessoas expostas e as medidas existentes. O objetivo é estabelecer prioridades coerentes para o plano de ação do PGR.

Essa etapa precisa diferenciar o perigo de suas possíveis consequências. Uma gestão baseada em humilhações, por exemplo, é um fator de risco; já o sofrimento psíquico ou o afastamento pode ser uma consequência. Essa distinção ajuda a direcionar controles para a origem do problema.

4. Definir medidas de prevenção e controle

As ações mais efetivas atuam sobre a organização e as condições de trabalho, e não apenas sobre a capacidade individual de enfrentar pressão. Dependendo do risco identificado, as medidas podem envolver:

  • redistribuição de tarefas e revisão da carga de trabalho;
  • adequação de jornadas, pausas e escalas;
  • definição mais clara de funções, prioridades e responsabilidades;
  • capacitação de lideranças para gestão respeitosa;
  • criação ou aprimoramento de canais seguros de comunicação e denúncia;
  • procedimentos para prevenção e enfrentamento do assédio;
  • participação dos trabalhadores em mudanças que afetem suas rotinas;
  • melhoria do apoio oferecido por gestores e equipes;
  • acompanhamento das áreas ou grupos com maior exposição.

Ações de acolhimento e orientação podem complementar a prevenção, mas não substituem a correção de metas, jornadas, práticas de liderança ou processos que estejam produzindo o risco.

5. Registrar, acompanhar e revisar

Os fatores identificados, a avaliação realizada e as medidas definidas precisam estar integrados aos documentos e processos do PGR. O plano de ação deve indicar prioridades, responsáveis, formas de acompanhamento e critérios de verificação.

O monitoramento permite verificar se os controles funcionam e se surgiram novos riscos. Mudanças de processo, reestruturações, aumento de demanda e ocorrências relevantes podem justificar uma nova análise, conforme as regras aplicáveis e a realidade da organização.

Quais são as consequências da não conformidade?

A falta de gerenciamento dos riscos psicossociais pode gerar consequências legais, humanas e operacionais. Em uma fiscalização, inconsistências no PGR ou a ausência de medidas compatíveis com os riscos encontrados podem resultar em autuações e penalidades administrativas, conforme o enquadramento e a regulamentação aplicável.

No ambiente interno, a falta de prevenção também pode estar associada a:

  • aumento de afastamentos e faltas;
  • maior rotatividade de profissionais;
  • conflitos e deterioração do clima organizacional;
  • redução da concentração e da produtividade;
  • falhas de comunicação e aumento da possibilidade de erros;
  • custos operacionais e necessidade frequente de substituições;
  • danos à confiança dos trabalhadores na organização.

A existência de documentos genéricos não garante conformidade. O PGR deve refletir os processos reais da empresa, demonstrar os critérios utilizados e estabelecer medidas relacionadas aos fatores efetivamente identificados.

Como a Connapa apoia a adequação à NR-1?

A Connapa apoia empresas na compreensão dos riscos psicossociais e em sua integração à NR-1 e ao PGR, com foco na conformidade com as Normas Regulamentadoras. A consultoria em SST conta com equipe técnica especializada, atendimento em todo o Brasil e mais de 30 anos de experiência.

A Connapa também oferece uma trilha específica sobre riscos psicossociais, ajudando gestores, profissionais de RH e equipes de Segurança do Trabalho a compreender os conceitos, os critérios preventivos e a relação desses fatores com o gerenciamento de riscos ocupacionais.

Como cada empresa possui processos, atividades e exposições diferentes, o suporte especializado contribui para definir uma abordagem coerente com a realidade organizacional, sem recorrer a modelos genéricos ou desconectados do trabalho executado.

Prepare o PGR para uma prevenção mais abrangente

A adequação dos riscos psicossociais à NR-1 exige olhar técnico para a organização do trabalho, participação das áreas envolvidas e controles direcionados às causas dos problemas. Para avaliar as necessidades da empresa e planejar a integração ao PGR, solicite um orçamento com um especialista da Connapa.

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